Mães solteiras no Impulso: uma noite de punk e amor
No bar diziam que era Punk "Institucional". Em palco, o Quim disse que era Punk. "Institucional" ou não, era mesmo Punk.
Mães Solteiras deram, provavelmente, um dos melhores concertos que o Impulso já presenciou. A sala não esperou, arrebentou.
Tocaram o mais recente trabalho "Vamos ser breves" e foram. Em pouco mais de meia hora, conseguiram espalhar energia e mensagem. Mensagem essa importante para a minha geração. Uma mensagem para nos "abrir" os olhos em relação ao que nos rodeia e à forma como as coisas se estão a desenrolar.
Da mesma forma que os Mão Morta, em "Viva la Muerte", nos fazem pensar sobre o crescimento do fascismo, porém, dizendo-o de uma forma "Intelectual", as Mães Solteiras vão diretas ao assunto. Contra tudo e contra todos, criticam o crescimento da extrema-direita que impulsiona o ódio e o racismo perante aqueles que lutam por melhores condições de vida e, de alguma forma, tentam dar esperanças às suas famílias.
"Duas malas de cartão/ Em Massamá ou França", relembram-nos que, em Portugal, muitos emigraram para conseguir sobreviver e, se calhar, alguns eram da nossa família. Hoje, somos contra aqueles que vêm para cá.
Se a minha geração não consegue abrir os olhos ou, pelo menos, os ouvidos para os avisos que nos fazem, então não sei onde é que isto irá parar.
"Puto, isto ainda mexe comigo!".
Mães Solteiras deram, provavelmente, um dos melhores concertos que o Impulso já presenciou. A sala não esperou, arrebentou.
Tocaram o mais recente trabalho "Vamos ser breves" e foram. Em pouco mais de meia hora, conseguiram espalhar energia e mensagem. Mensagem essa importante para a minha geração. Uma mensagem para nos "abrir" os olhos em relação ao que nos rodeia e à forma como as coisas se estão a desenrolar.
Da mesma forma que os Mão Morta, em "Viva la Muerte", nos fazem pensar sobre o crescimento do fascismo, porém, dizendo-o de uma forma "Intelectual", as Mães Solteiras vão diretas ao assunto. Contra tudo e contra todos, criticam o crescimento da extrema-direita que impulsiona o ódio e o racismo perante aqueles que lutam por melhores condições de vida e, de alguma forma, tentam dar esperanças às suas famílias.
"Duas malas de cartão/ Em Massamá ou França", relembram-nos que, em Portugal, muitos emigraram para conseguir sobreviver e, se calhar, alguns eram da nossa família. Hoje, somos contra aqueles que vêm para cá.
Se a minha geração não consegue abrir os olhos ou, pelo menos, os ouvidos para os avisos que nos fazem, então não sei onde é que isto irá parar.
"Puto, isto ainda mexe comigo!".
Mães Solteiras no Impulso
CCC, Caldas da Rainha, 26.02.2026
CCC, Caldas da Rainha, 26.02.2026
Red Sun Atacama no Fuzz: Uma tarde psicodélica no cartaxo
"Il est sept heures du matin" poderia ser uma canção da Jacqueline Taïeb se estivéssemos em 1967. Mas é 2026 e foi Red Sun Atacama no Fuzz.
Casa cheia, completamente cheia para assistir a esta beleza musical. Que belo concerto, mais um! Ultimamente, várias bandas oriundas de França têm vindo tocar ao Fuzz: Karkara, Mad Foxes, Basic Partner e, agora, os Red Sun.
Se bandas como os Cream abriram caminhos para Power Trios, os Red Sun souberam-no aproveitar. Com um som bastante influenciado por Black Sabbath, Queens of the Stone Age e Motörhead (sobretudo os álbuns Paranoid e Songs for the Deaf), o rock hoje está mais do que vivo.
Riffs de guitarra avassaladores, linhas de baixo escaldantes e uma bateria a partir tudo, inclusive baquetas. Durante uma hora e meia, o Fuzz dançou, suou, fez mosh e crowdsurfing. Isto para não dizer que se ouviam mais os ânimos das pessoas do que a voz do vocalista.
E o que fazer quando existem problemas/contratempos? Fazemos uma jam improvisada em palco. "The show must go on"!
Extremamente incrível. Impressionante o que a música é capaz de fazer. Acho que nunca vi o Fuzz tão cheio. As pessoas estavam apertadas mas não o suficiente para impedir que a emoção de ouvir a guitarra, depois o baixo e, por fim, a bateria as fizesse estar paradas.
A continuar assim, onde é que o Fuzz irá parar? Que surpresas nos prometem?
"Vive la France!"
Casa cheia, completamente cheia para assistir a esta beleza musical. Que belo concerto, mais um! Ultimamente, várias bandas oriundas de França têm vindo tocar ao Fuzz: Karkara, Mad Foxes, Basic Partner e, agora, os Red Sun.
Se bandas como os Cream abriram caminhos para Power Trios, os Red Sun souberam-no aproveitar. Com um som bastante influenciado por Black Sabbath, Queens of the Stone Age e Motörhead (sobretudo os álbuns Paranoid e Songs for the Deaf), o rock hoje está mais do que vivo.
Riffs de guitarra avassaladores, linhas de baixo escaldantes e uma bateria a partir tudo, inclusive baquetas. Durante uma hora e meia, o Fuzz dançou, suou, fez mosh e crowdsurfing. Isto para não dizer que se ouviam mais os ânimos das pessoas do que a voz do vocalista.
E o que fazer quando existem problemas/contratempos? Fazemos uma jam improvisada em palco. "The show must go on"!
Extremamente incrível. Impressionante o que a música é capaz de fazer. Acho que nunca vi o Fuzz tão cheio. As pessoas estavam apertadas mas não o suficiente para impedir que a emoção de ouvir a guitarra, depois o baixo e, por fim, a bateria as fizesse estar paradas.
A continuar assim, onde é que o Fuzz irá parar? Que surpresas nos prometem?
"Vive la France!"
Red Sun Atacama no Fuzz
Cartaxo, 28.02.2026
Cartaxo, 28.02.2026
Agita Solum, Throwness, Lord of Confusion no TExas: A noite das trevas em leiria
No sábado, 28 de março, as trevas desceram até ao Texas. Desta vez, vieram em formato de uma tempestade musical levada a cabo pelo metal de Agitat Solum, Throwness e Lord of Confusion.
Agitat Solum abriram a noite. Oriundos de uma garagem em Loures, pararam no Texas para impelir uma ventania musical. Com uma sonoridade Sludge e Doom Metal, pontuada por noise, feedback e riffs arrastados e pesados, a banda incendiou o público com solos de baixo à la Cliff Burton e riffs de guitarra que evocavam Eyehategod. A força foi tanta que, nos primeiros minutos, já se visionavam headbangings e braços em riste. Os temas, maioritariamente instrumentais, levaram a plateia a um abismo, num mergulho orquestrado pelos instrumentos e pelos gritos do vocalista.
Throwness, a segunda a subir ao palco, aprofundou a imersão do público num abismo prenunciado. Um concerto marcado pelo Sludge Atmosférico e o Post-Metal fez com que a atuação parecesse uma conversa entre Neurosis e Martin Heidegger, abordando tópicos como o espiritualismo, a perda e o existencialismo. O público mergulhou num mar onde as guitarras transmitiam o sentimento de alguém que se sente perdido, sozinho e controlado por uma força sobrenatural. A combinação da voz e guitarra de Kévin com a guitarra de Tiago expôs a dura realidade do mundo aos ouvintes. Micas, no baixo, conduziu o leme desta viagem com toda a pujança e vigor. O vapor era tanto que, por instantes, a memória do concerto de Santarém do ano passado me assaltou, quando se percebeu que aquela tarde de setembro não findaria no seu ciclo, evoluindo para a escuridão da noite.
Por fim, a última banda da noite: Lord of Confusion. O caos. O bater no fundo do abismo. Originários de Leiria, foram capazes de destruir o que sobrava do Texas. Numa mistura de ocultismo e mistério, Black Metal e Doom Metal, os Lord provaram que não estavam para brincadeiras no palco. A voz enigmática de Carlota, em união com o seu teclado, levou-nos ao mais profundo lugar da Terra, onde só existe escuridão. A guitarra pesada e psicadélica de Danilo, em parceria com o baixo de João, aliados à bateria de Nelson, ajudaram a que a descida ao abismo fosse ainda mais pavorosa. Apresentaram o novo álbum, “The Weight of Life”, neste concerto que ficou marcado por momentos de tensão e descontração, através das vozes e guitarras, e momentos de bravura e agitação levados a cabo pelo teclado e baixo. Porém, como as trevas são um lugar quente e sombrio, esta tranquilidade não durou muito tempo. Entre gritos e moshes, a agonia foi movida até ao mais ínfimo ponto da mente humana, por meio de um público a vibrar e a cantar no palco com a banda. Com todo este movimento, foram os únicos que fizeram um encore. Tocaram uma cover de Pentagram, uma das influências da banda, fazendo com que houvesse uma desordem total de ambas as partes. A plateia assumiu o microfone e Carlota cantou e fez mosh com o público, registando este descontrolo. Observou-se, portanto, que a escuridão era orquestrada pelo público e pela banda, e não por alguma entidade sobrenatural.
Agitat solum, throwness, lord of confunsion no texas
amor/ leiria, 28.03.2026
amor/ leiria, 28.03.2026
Buscapolos na Milk Records: o rejuvenescer do grunge em santarém
Após a sua abertura em dezembro de 2025, a loja Milk Records tem proporcionado grandes eventos. Organizando concertos e sessões de poesia nas tardes de sábado e de domingo, promovendo o talento do melhor que se produz em Santarém. No passado domingo, 29 de março, houve mais uma sessão de concerto na loja. A animação da tarde ficou por conta dos Busca Polos.
Mesmo com menos de um ano de existência, os Busca Polos, originários de Santarém, já causam burburinho na cidade. Este concerto marcou a segunda apresentação da banda na loja, após a primeira ter ocorrido num evento beneficente para as vítimas das tempestades. A banda, misturando grunge e post-grunge com humor, agitou o público no concerto, garantindo que ninguém ficasse parado e mostrando a sua energia contagiante. O melhor dos anos 90 regressa em letras cómicas que ironizam a rotina, guitarras e baixos distorcidos e uma bateria contagiante. Porém, com uma pequena exceção: cantam em português e a temática das letras está ligada à cidade natal.
Para quem esteve no primeiro concerto da banda, no ano passado no SRO, é notório o amadurecimento musical e, até mesmo, performativo. Este amadurecimento é resultado das muitas horas de ensaio que levaram à gravação do primeiro álbum com material inédito. Concertos já estão na agenda, com destaque para a presença no festival Frente Z, que se uniu à Milk Records para este evento. Enquanto alguns julgam a banda sem força, o resultado afirma o contrário. A casa esteve sempre cheia e com bastante ânimo.
buscapolos na milk records
santarém, 29.03.2026
santarém, 29.03.2026
Royal Bermuda na ode winery: uma conversa entre duas guitarras
Costuma-se afirmar que a qualidade de uma conversa é elevada por um bom vinho. Para os Royal Bermuda, optámos por um concerto ao invés de uma simples conversa. Um concerto intimista, centrado na interação de duas guitarras, decorreu na Ode Winery, na sexta-feira, 15 de maio.
Depois de meses de pausa de concertos, dirigiram-se a Vila Chã de Ourique para reativar as cordas das guitarras e mostrar as composições que constituirão o novo álbum que está a ser elaborado, tornando este concerto um momento muito especial.
Iniciaram a sessão com “Morena”, a segunda faixa do seu último álbum “Sempiterna” (2022). As notas iniciais prenunciavam o que o concerto reservava. Continuaram com temas de “Sempiterna”, destacando-se “Milonga Portuñola”, onde um solo improvisado fez as delícias de alguns espetadores. Após as três primeiras músicas, apresentaram “Alma Penada”, um dos três temas que farão parte do próximo álbum. Observa-se que estes nunca tinham sido interpretados ao vivo e, devido a ainda possuírem identificações provisórias, representam uma estreia sem precedentes. Esta ocasião proporcionou-nos uma amostra do álbum que se aproxima. De seguida, rumaram até à “Riviera Di Lage”, uma ode à Ribeira da Lage, presente no disco de estreia “Paraíso Cafajeste” (2019). Após este voltar ao principio da banda, apresentaram mais um dos novos temas que ainda não consta com nome definido. Como sucessora veio “Drăguță Dance”, uma música que viaja por várias influências da banda, desde o rock à música clássica e à música peninsular ibérica. Se a “Drăguță Dance” impulsionou um “mosh”, a que se seguiu levou-nos numa viagem de barco sobre um oceano cheio de infinitas cores. Refiro-me a "À Antiga", uma peça musical que oferece inspiração perante as turbulências da atualidade. Aproveitando a viagem, tocaram a última das três músicas novas que constituíram o próximo álbum. Esta fala sobre uma musa, tema recorrente em alguns temas da banda, tendo como nome “A tua Carinha ao Sol”.
Por esta altura, o concerto já decorria há metade da sua duração, juntamente com uma bela garrafa de vinho tinto. A presença de uma garrafa de vinho tinto durante as atuações dos Royal Bermuda é um elemento frequente e intrínseco à experiência musical.
Quase a chegar ao fim, é hora de “Sedução”, tema presente no EP "Ao Vivo na Valentim de Carvalho". Influenciado pelo sertanejo raiz e pela viola caipira, relata a narrativa de uma noite de convívio em que a elegância de uma mulher cativante deixou uma marca indelével. Porém, esta música teve uma má apresentação devido a problemas técnicos. Acabou por ser tocada, novamente, no final do concerto. Por meio de arrasto, recebemos “Canção do Trabalho” uma música que me leva a conhecer a história do povo português, a crónica de um povo que se empenhou “da alvorada ao entardecer”, destacada nesta homenagem encantadora. Para concluir a noite, brindaram-nos com “Paraíso Cafajeste”. Um retrato de Portugal: a exuberância das paisagens e da natureza em oposição a um sistema imoral.
Assim se concluiu o concerto, surpreendendo positivamente um considerável número de presentes que, por simples coincidência, desfrutaram de tal magnitude sonora durante um jantar fora.
Royal Bermuda na ode winery
vila chã de ourique, 15.05.2026
vila chã de ourique, 15.05.2026